quinta-feira, 30 de novembro de 2017

MATA ATLÂNTICA EM IPOJUCA


A vegetação original do Ipojuca consiste de remanescentes de Mata Atlântica, que correspondem às florestas subperenifólia (porções central e oeste) e perenifólia de várzea (ou mata ciliar) e de restinga; de campos de várzea; e dos cerrados e manguezais, na faixa litorânea.

Jefferson Rodrigues



A degradação desse ecossistema remonta ao período colonial, através da expansão da exploração da cana-de-açúcar, encontra-se hoje restrita a apenas o equivalente a 2.400 ha. As áreas de manguezais, que têm sofrido com aterro até os dias atuais, num processo acelerado, como resultado da especulação imobiliária e do processo de favelização, representam 5.386 ha do Município, segundo o memorial descritivo do estudo cartográfico recentemente realizado pela Prefeitura.





Ipojuca é rico em ecossistemas naturais, apresentando uma grande diversidade deles. No entanto, estes ecossistemas, como a Mata Atlântica encontram-se em acelerado processo de degradação fatores que contribuem para que seus ecossistemas sejam considerados frágeis. A degradação da mata atlântica, remonta ao período colonial, com sua devastação para expansão da cana-de-açúcar.



Pixabay

Grande parte desta devastação ipojucana se deve à ausência de um processo macro de gestão ambiental, o qual esteja fundamentado nos princípios da sustentabilidade. Sendo assim, é importante que se estabeleça uma lógica, com bases ambientalmente corretas, em que sejam normatizadas as atividades humanas e a apropriação dos recursos e ecossistemas naturais.


Jefferson Rodrigues


A preservação destes ecossistemas passa, necessariamente, por um processo de gestão ambiental, o qual se entende como ausente, ainda hoje, no Município do Ipojuca. Sendo assim, estabelecer uma lógica gerencial e administrativa com bases ambientalmente corretas, em que sejam normatizadas atividades humanas e a apropriação destes recursos, é de suma importância para a melhoria das condições de vida da população.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PADRE PEDRO DE SOUZA LEÃO
Padre Pedro de Souza Leão. Arq. Diário de Pernambuco 
Nascido em Ipojuca, no Distrito de Nossa Senhora do Ó, no dia 8 de janeiro de 1917, era filho de Pedro de Souza Leão e de Minervina de Souza Leão. Aos 19 anos ingressou no Seminário de Olinda. Completada sua formação eclesiástica foi ordenado. Sua primeira celebração eucarística foi no Distrito de Nossa Senhora do Ó, no dia 8 de dezembro. Em 5 de janeiro, foi empossado vigário cooperador de Vitória de Santo Antão e capelão do Colégio Nossa Senhora da Graça.
Em 1949 foi transferido para Glória do Goitá assumindo a direção da Paróquia de Nossa Senhora da Glória. Nos dez anos à frente da paróquia realizou importantes obras tais como: construção da nova igreja matriz, da escola Paroquial de Menores e do ginásio Dom Miguel de Lima Valverde. Em Glória do Goitá o povo o elegeu prefeito. Exerceu seu mandato, 1958/1962. Voltou à Vitória de Santo Antão, assumindo mais uma vez, a capela do Colégio N. S. da Graça. Em agosto, do mesmo ano, foi convocado por Dom Carlos Coelho, Arcebispo de Olinda e Recife, para dirigir a construção do Seminário Regional do Nordeste, localizado em Camaragibe. 
Após longos anos, longe da vida paroquial, não da vida pastoral, pois continuou exercendo seu apostolado continuamente, o Cônego Pedro Souza Leão, assumiu a paróquia de Cavaleiro, no município do Jaboatão dos Guararapes.  No dia 20 de maio de 1991 faleceu deixando saudades e um grande legado.
Arquivo Paulo Ferrer

terça-feira, 14 de novembro de 2017


DOMINGOS ALBUQUERQUE




                         Domingos Costa Albuquerque era Ipojucano casado com a sra. Izabel Eulalia de Albuquerque, com quem teve três filhos. Jornalista de profissão ficou conhecido na cidade e no estado como um grande poeta, seus textos foram amplamente publicados, principalmente na comunidade católica. Faleceu no dia 31 de dezembro do ano de 1935.



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

FREI OTTO


 
Frei Otto Henrique Stohldreier, assim se chamava Frei Otto, nasceu no dia 27 de agosto de 1908 na cidade alemã de Gelsenkirchen. Alimentava o desejo de tornar-se rodoviário. Depois de concluir a Escola Primária, ingressou no Curso de Artes Mecânicas. Concluído o aprendizado, foi surpreendido pela pregação de um sacerdote franciscano.
Causou-lhe tão profunda impressão que resolveu ser missionário franciscano. Pediu ao pai que fosse com ele a um convento franciscano que ficava próximo de sua terra. Frei Eleutério, o frade que os atendeu, encaminhou o jovem Henrique para o Seminário Franciscano e Missionário de Bardel. Henrique se mostrou bom aluno. Tinha muita facilidade para línguas. No desempenho das atividades curriculares e disciplinares, mostrou que era um candidato certo para o Noviciado. Feito o exame chamado de Madureza (uma espécie de vestibular), passou no mesmo com êxito.
A partir de maio de 1943, Frei Oto passou a trabalhar como Vigário-Cooperador na Paróquia Franciscana de Aracaju. Em maio de 1944 foi transferido para Penedo (AL) e em outubro já está em Ipuarana (Lagoa Seca - PB). Em Junho de 1944, já com a saúde muito abalada, trabalha em Sirinhaém.
Em março de 1945 já vamos encontrá-lo em Ipojuca. Em fins de setembro de 1946 assume a Capelania de Nossa Senhora dom Ó com a qual já vinha namorando desde que chegara a Ipojuca em março de 1946. Vai permanecer como tal até dezembro de 1956. Foram 10 anos de missão permanente em Nossa Senhora do Ó. Muitos confrades estiveram a seu lado no apostolado de Nossa Senhora do Ó, especialmente o seu primeiro Guardião em Ipojuca Frei Eusébio que lhe prestava incondicional apoio.
Dez anos de pastoreio muito fecundo, cujos frutos ainda hoje permanecem. No dia 15 de fevereiro de 1954, voltando de N. Senhora do Ó para Ipojuca, sofreu um acidente com a motocicleta que dirigia. Na derrapada, fraturou, do lado esquerdo, a clavícula e uma costela. Não foi a médico nem a hospital. Ele mesmo nos conta, no Livro de Crônica (pg. 254) que não precisou de intervenção cirúrgica. Apos oito dias se considerou bom. Tratou-se certamente com remédios caseiros. Quando se julgou curado, precisou de fazer uma consulta médica no Recife. Ele mesmo escreve que escapara de um acidente fatal, e caíra noutro fatal: estava diabético, com 03, 87 gr. de açúcar no sangue! Desde então, todos os dias se medicava, tomando a quantidade de insulina prescrita pelo médico.
De Ipojuca , foi em 1957 para Canindé e depois para Fortaleza. Já planejava construir uma igreja em Paramoti. Vai de férias na Alemanha em abril de 1958. Regressa a Fortaleza. Sofre mais um acidente de motocicleta que lhe causou um ferimento na cabeça. Em março de 1959 já o vemos em Campo Formoso no Sertão da Bahia trabalhando ao lado de Frei Lino seu antigo Guardião e Vigário em Ipojuca e que lhe dera muito apoio no apostolado em Nossa Senhora dom Ó. Em Campo Formoso exerce as mais diversas atividades: confessor de freiras, Diretor Espiritual do Seminário, professor de Latim num estabelecimento particular destinado à formação de futuras professoras.
A 6 de junho de 1961 celebrou o Jubileu de Prata de Ordenação Sacerdotal.
Em junho de 1964, foi transferido para a terra natal. Em Mettingen, Alemanha, precisava-se dele como professor no Instituto Franciscano que havia sido fundado para as Vocações ditas tardias, isto é, para a formação de adultos que desejassem ingressar na Ordem Franciscana. Ensinava particularmente Latim e Música. Mas não se descuidava dos trabalhos pastorais, dando assistência no Hospital , Pregando a Palavra de Deus, sendo confessor de freiras. E ainda encontrava tempo para arranjar "um dinheirinho" para igrejas, escolas e instituições do Nordeste Brasileiro. Nossa Senhora do Ó não lhe saía do coração.
A 2 de 0utubro de 1972, o seu estado de saúde se agravou. Foi transferido para o Convento de Bardel, onde tinha começado a sua vida franciscana. Permaneceu aí apenas por alguns dias. Foi levado para uma Casa de Saúde perto de Muenster (Vestfália), onde não lhe faltavam visitas dos confrades e amigos de Mettingen e de Bardel. No dia 28 de agosto de 1973, faleceu em paz, depois de receber os sacramentos das mãos do Padre Guardião de Bardel. O enterro se realizou em Bardel, a 29 de agosto, na presença dos parentes, confrades de Bardel, de Mettingen e do Brasil que estavam de férias na Alemanha. A missa de corpo presente foi concelebrada por 14 confrades sacerdotes.

(Extraído do blog de Frei Milton Coelho) 

sábado, 11 de novembro de 2017

BREVE HISTÓRIA DO ENGENHO MARANHÃO

            
         Maranhão é um nome que vem do Tupi e significa “Grande Mar que corre”, a provável origem desse nome no engenho deriva do Rio que passa em suas terras e que na época da colonização era imensamente mais caudaloso. Suas rochas ao sofrerem o impacto das águas do rio criam uma beleza incomparável.

Engenho Maranhão na década de 40. Por Iba Mendes

Engenho maranhão hoje.

Foi fundado por Antônio Ribeiro de Lacerda, tinha uma imensa moenda movida pelas águas do seu rio. Em textos antigos relacionados ao engenho é onde encontramos as primeiras citações de Ipojuca como Bela Ipojuca.


Possui uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Penha. Com a invasão holandesa o Engenho foi confiscado pela Companhia das Índias Ocidentais passando a pertencer no período holandês a João Tenório de Molina.
           Durante Muitos anos a Igreja que representava a arquitetura dos engenhos coloniais ficou abandonada, tendo sido restaurada hoje ainda se mostra imponente naquele engenho

desbravandopernambuco.blogspot
Capela do Engenho Maranhão hoje

                                                   





quarta-feira, 8 de novembro de 2017

IPOJUCA DOS BAOBÁS

         Conhecida entre os mais antigos como “Manguba”, que na verdade é uma outra espécie de árvore, em Ipojuca encontramos vários Baobás cujos maiores e mais antigos encontram-se no Engenho Gameleira em Porto de Galinhas e é possível vê-lo de baixo, já da PE-009. Próximo a ele temos talvez a visão mais linda da Vila e ao olhar na direção do Oceano é como se quiséssemos trazer à memória o continente africano.


Baobá em Porto de Galinhas. Foto de Jefferson Rodrigues 
                     O Engenho Mercês guarda outra imponente árvore desta espécie, mas, de todas a mais antiga e de maior porte é a de Nossa Senhora do Ó que está entre as maiores e mais antigas árvores históricas do Brasil.

Baobá em Nossa Senhora do Ó. Foto de Jefferson Rodrigues
          O Baobá é sem dúvida a árvore mais importante do nosso município, isso porque ela agrega valores simbólicos da identidade ipojucana retratando a expressão da luta e resistência africana em nossa região.
        Trazida pelos escravos advindos da África o Baobá era considerado por eles uma árvore sagrada, chamada de árvore da vida, pois é uma fonte produtiva abundante. Seus frutos podem ser consumidos de diversas formas, sucos, doces e outros alimentos podem ser feitos até com as folhas.

Baobá no Engenho Mercês. Foto do Projeto Baobá

           
            Uma das formas mais interessantes do uso desta árvore pelos povos africanos era através da água que se acumula em seus troncos, uma espécie de poço era feito no tronco desta árvore de onde os povos da África poderiam extrair o líquido.
            O Baobá era uma maneira de os africanos lembrarem-se da sua terra mãe, sua presença poderia lhes dar força e trazer à mente as memórias de seu povo.
          
Praça do Baobá em Nossa Senhora do Ó. Foto de Jefferson Rodrigues
Atualmente essas árvores são tombadas por força de Lei municipal e é de obrigação do poder público e de toda comunidade zelar por este patrimônio.



Professor Jefferson Rodrigues. Para saber mais curta nossa página no Facebook: Minha Ipojuca e siga-nos no Instagram prof_jefferson_rodrigues

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

OURIÇO-DO-MAR


Creio que quem conhece a região em algum momento se deparou com um desses bichinhos lindos, mas que porém, podem vir a causar um grande desconforto quando pisado. isso porque seus espinhos contém uma substância tóxica capaz de causar inflamação local e que se não for bem cuidada pode até levar à morte.

Ouriço em Muro Alto. Foto de Rodrigo Araújo

Segundo pesquisas os ouriços são responsáveis por aproximadamente 50% dos acidentes marinhos (g1.com/bem-estar/blog), principalmente no verão onde há maior quantidade de pessoas nas praias.

Ouriços na Praia do Cupe. Foto de Jefferson Rodrigues
Eles ficam localizados principalmente nos arrecifes de corais onde podem alimentar-se de algas marinhas ou pequenos invertebrados, mas também situam-se na areia, próximo de pedras, onde podem ser facilmente pisados. Em caso de grave acidente recomenda-se que imediatamente procure o posto médico.
Ouriços na praia de Muro Alto. Foto de Jefferson Rodrigues


Para quem não sabe o ouriço também é comestível. No litoral ipojucano ele também serve de alimento e pode ser consumido de diversas formas, inclusive ao leite de coco. Suas carapaças ficam bem visíveis após a queda dos seus espinhos quando eles morrem, servindo também de peça de artesanato. Por não ser uma iguaria tão apreciada sua pesca é pequena.

Carcaças de Ouriço

sábado, 4 de novembro de 2017

BREVE HISTÓRIA DA USINA SALGADO

Como usina Salgado foi fundada no ano de 1892 e tem suas origens ligadas ao Engenho Salgado que pertenceu a várias famílias e em fins do século XIX a família Bandeira de Melo. No ano de 1975 foi adquirida pela família Queiroz que é dona até então.

Usina Salgado. Giesbrecht
As ferrovias tiveram imensa importância para as usinas até meados do século XX, principalmente para o escoamento da produção. Segundo Giesbrecht (estacoesferroviarias, 2017):
No ano de 1931, as propriedades da usina eram as seguintes (algumas podem ser localizadas no mapa abaixo): Mercês, Guerra, Meio, Boacica, Macaco, Dourado, Saco, Pindoba, Pindobinha, Água Fria, Caeté, Todos os Santos, Santa Rosa, São Carlos, São Paulo, Genipapo e Cachoeira.                                  
Em 1931, a usina Salgado tinha 185,449 km2 de terras e dispunha de uma via férrea para o seu serviço, com cerca de 50 km de extensão que cortava as suas propriedades. O seu material rodante compunha-se na época de 5 locomotivas e 8 vagões (Anuário dos Diários Associados, 1931). 


Locomotiva na Usina Salgado. Giesbrecht

          Atualmente a Usina Salgado parou sua produção, tendo arrendado parte de suas terras, e vendido outras. Várias famílias ainda vivem em seus engenhos e arredores da Usina.



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

IPOJUCA, TERRA DE VULCÕES

A Teoria da Deriva Continental mostra-nos que há milhões de anos atrás os continentes eram todos unificados (Pangeia), mas foram separando-se, fato que ainda continua ocorrendo.
            No momento de maior separação dos continentes americano e euro-africano o planeta estava em grande intensidade vulcânica, e é exatamente nesse momento que ocorreram intensas atividades vulcânicas em Ipojuca.



                                           Movimentação dos continentes. Universidade Federal de Roraima
 
De maneira bem clara, estamos dizendo que há milhões de anos atrás as terras que hoje formam a cidade de Ipojuca estava diretamente ligada ao continente africano e isso é comprovado por diversos fatores, dentre eles os aspectos geológicos.
Desse período restaram vestígios, cujo mais imponente situa-se nas terras da Usina Ipojuca. É um “Neck Vulcânico” conhecido entre os moradores da localidade como “A pedra da Usina” e que carrega também uma série de lendas a ele ligado.
Neck do Vulcão na Usina Ipojuca. Foto de Jefferson Rodrigues


           No Engenho Saco também encontramos sinais de atividades vulcânicas, em uma área conhecida pela comunidade local como “Pedreira”. Neste local desenvolve-se a extração de matéria-prima para produção de cimento. É possível encontrar materiais também pelo caminho, uma vez que se trata de uma atividade proveniente de explosões e que teria se espalhado pelo território.

Presença vulcânica. Engenho Saco. Imagem: Projeto Geoparques UFRN


                Vale salientar, porém que o vulcão de Ipojuca está inativo há pelo menos 100 milhões de anos e portanto não há risco de ocorrerem erupções vulcânica.

Prof. Jefferson Rodrigues 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

DIA DE FINADOS 

Por Rui Ferreira

              Dois de novembro é o dia dedicado à reverência aos mortos. Os cemitérios são os locais onde nesse dia parentes e amigos vão visitar o túmulo de seus entes queridos já falecidos. 
                 O cemitério de Nossa Senhora do Ó, Ipojuca, PE, fundado em 1856, na então rua de Cima, em terras PRÓPIAS da Igreja, tendo ao centro uma Capela construída em 1862, dedicada ao Senhor Bom Jesus da Boa Morte. Esse cemitério mais é o mais antigo do município, pois o de Ipojuca é de 1868. 



            O túmulo mais velho é de uma criança de nome MANOEL FRANCISCO DE PAULA MESQUITA, nascida em 1º.12.1864 e falecida em 11.11.1867. Já o jazigo mais imponente é o do Tenente Coronel FRANCISCO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO Melo, nascido em fevereiro de 1800 e falecido em 22.08.1871. A lápide desse jazigo em LIOZ, com desenho em alto-relevo simbolizando a cana de açúcar, o arado, a enxada, etc. Essa lápide se movia para os lados quando acionada por impulso. Ela por mais de um século foi uma atração para as pessoas que gostavam de vê-la balançar. Há cerca de mais ou menos nove anos ela não resistiu a tantos balanços e caiu, porém ela foi recolocada na sua base original e ficando fixa.















Rui Ferreira é pesquisador da história de Ipojuca.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ENGENHO PINDOBA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Situado atualmente em terras da Usina Salgado, o Engenho Pindoba foi um dos produtores de açúcar mais importantes do Período Colonial em Ipojuca. Pindoba é um tipo de palmeira que produz uma espécie de amêndoas da qual é possível extrair um óleo comestível que era bastante utilizado no Nordeste.

Espécie de Pindoba

Foi fundado por volta de 1590 por Gaspar da Fonseca Carneiro e em 1609 passou para Cristovão Álvares, provavelmente seu rendeiro. Com a invasão holandesa assistiu um dos mais sangrentos combates em suas terras tentando resistir a invasão holandesa e mais tarde seria palco de combates novamente para expulsão destes. Neste momento assumia a posse do engenho Cosme Dias que fugiu das terras conforme consta  (NIEUHOF, 1682. Pg. 99)

...O Engenho Pindoba estava situado na freguesia de Ipojuca e pertencia a Cosme Dias, que se exilou: confiscado pela administração holandesa o engenho foi vendido a Mateus da Costa...

Mais tarde com a posse holandesa suas terras foram confiscadas pela Companhia das Índias Ocidentais e foi vendido a Gaspar Gonçalves Vilas que posteriormente vendeu a João Fernandes Carvalho.
Posteriormente o engenho foi posse de um dos mais proeminentes personagens da história de Pernambuco o Capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, responsável por grandes batalhas entre colonizadores e nativos do Nordeste e um dos líderes da Guerra dos Mascates. Tendo sido acusado de conspiração contra a Coroa Portuguesa, Bernardo Vieira de Melo foi preso no Engenho Pindoba e mais tarde deportado para Portugal onde faleceu.

Bernardo Vieira de Melo. Diário de Pernambuco

                A capela do engenho sob a invocação a São Tomé encontra-se na lista de bens culturais e naturais da mata norte de Pernambuco. Em 1975 as terras já estavam sob o comendo da Usina Salgado na administração do Padre Antonio Vieira de Melo quando foi toda a Usina comprada pela família Queiroz que é a proprietária do engenho até os dias atuais.


Altar a Santo Tomé
Capela do Engenho Pindoba


 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

UM POUCO SOBRE MARACAÍPE: ORIGEM E PERÍODO COLONIAL


Maracaipe, nome de origem indígena que significa “Rio que Canta”.  Devido a imensa fama da Praia vizinha de Porto de Galinhas, Maracaipe ficou de certa forma esquecida com relação a sua importância histórica, tornando-se alvo da exploração midiática do surf. A história do nome de Porto de Galinhas que por muitos até hoje é conhecida como sendo real, também atraiu olhares para um conto mítico bastante interessante, ficando Maracaipe de certa forma inexplorada nesse aspecto.
Maracaípe é uma Vila de Ipojuca situada no litoral que teve importante papel na história do Município. Tendo sido um importante Porto no período colonial, serviu de centro de carga e descarga de produtos e escravos naquele momento. Era visto como um importante sítio de pescaria, onde identificamos a presença de vários escravos que trabalhavam na região afim de atender as carências de alimentos da região bem como comercializar com outras freguesias, principalmente com a capital de Pernambuco.
Em 01 de março de 1589, Christovão de Moura, emissário português, envia ao Rei de Portugal sua análise das terras sob domínio de Lisboa em seus desessete anos de pesquisa. Publicada em texto no ano de 1824 no livro Coleção de Notícias para a História e Geografia Para as Nações Ultramarinas que Vivem nos Domínios Portugueses ou lhe são Vizinhas, pg. 26, encontramos:

...da Ilha de Santo Aleixo ao Rio de Maracaipe são seis legoas; onde entrão caravelões, o qual tem uns ilhéos na boca. De Maracaipe ao Rio Formoso são duas legoas, o qual tem hum arrecife ao mar defronte de si, que tem um bolqueirão, por onde entrão navios da costa, o qual está em 9 gráos, cuja terra he escalvada, mas bem provida de caça...


O território apresentava uma mata atlântica densa e grande, da qual sobrou uma pequena restinga que atualmente é uma APA (Área de Preservação Ambiental). É possível porém, encontrar a antiga trilha utilizada até os dias atuais pelos moradores locais e que no passado era usada para o escoamento dos produtos e escravos pela região, que além desse caminho, poderia utilizar outras saídas como por Serrambi após atravessar o rio que divide as duas praias ou ainda em direção à Porto de Galinhas.

Reserva de Mata Atlântica em Maracaipe a partir de Outeiros. Foto de Jefferson Rodrigues, 2015.

A pesca atendia a demanda dos engenhos, roçados e núcleos urbanos. Os pesqueiros, ou sítios de pescaria, a primitiva forma de utilização econômica e de ocupação humana do terraço marítimo, antes que os sítios de coqueiros surgissem ao seu derredor, constituía atividade rentável, a ponto de utilizar mão-de-obra africana; e um bom pesqueiro, como o de Maracaípe, seria adquirido por 10.000 cruzados, tendo ademais o comprador de investir na reedificação das instalações e da capela adjacente num curral de gado. (Mello, 2007) pg.74

Atualmente, Maracaipe é um importante polo turístico, no qual destaca-se as belezas de sua praia, principalmente no Pontal de Maracaipe e seus belos cavalos marinhos que podem estar sofrendo perigo. O Projeto Cavalo Marinho tem atuado há anos nessa área buscando reduzir os impactos e compreender melhor essa população. O Surf sem dúvida é um dos maiores destaques, mas é possível conhecer a beleza natural da vila por meio do passeio de jangada ou caiaque.

Trilha na APA de Outeiros em Maracaipe. Um ótimo lugar para estudar a história, geografia, fauna e flora locais.

Professor Jefferson Rodrigues. Para saber mais acesse nossa página no facebook ou entre em contato.