ORIGEM
DE IPOJUCA : ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Tratar sobre origens não é tarefa fácil, pois dessa questão emergem várias
outras ao ponto de determinados estudiosos defenderem a não existência de uma
origem unitária, uma vez que a ideia circunda em torno das relações de poder
que a construíram e não meramente de uma gênesis em si própria (MACHADO, 1981).
Isso se deve ao fato de que quando tratamos acerca das origens de um povo
acabamos por ser orientados a buscar um ponto, todavia a formação de uma
sociedade é produto de diversos fatores de ordem histórica, cultural,
religiosa, econômica, etc. (OLIVEIRA, 2006).
Nos voltando a comunidade em questão, a cidade de Ipojuca, muitos alertam para
o fato de a história de Ipojuca ter começado ainda no período colonial, sendo esta
portanto uma das cidades mais antigas do Brasil (RÖWER,
1947). Os relatos mais antigos que se tem
acerca da cidade de Ipojuca data de antes de 1560, quando Duarte Coelho
donatário da Capitania de Pernambuco lutou contra a expulsão dos Caetés e fez
doações de terras a várias famílias ligadas a nobreza portuguesa. Essas terras
eram lotes chamados de Sesmarias e foram doadas a várias famílias, sendo que
nos registros até então encontrados são citadas as famílias, Cavalcanti, Rolin,
Lacerda e Acioli, além de outras. (BARBOSA, ARRUDA E ALMEIDA, 2007).
Com essas posses os novos proprietários poderiam explorar a terra e
quem nela morasse, extraindo o que havia de riqueza na região. Portanto, no
primeiro momento, as terras de Ipojuca valeram muito para os portugueses, no
chamado primeiro ciclo econômico brasileiro, pois a extração do pau-brasil foi
de grande valia para a coroa portuguesa na época.
O primeiro engenho do qual temos notícia é o Engenho Tabatinga, localizado
próximo ao rio Tabatinga que separa Ipojuca do Cabo de Santo Agostinho. Esse
engenho é citado e um documento de inquisição assinado por Heitor Furtado em
1594 e seu nome pela primeira vez aparece como “Pojuca da Freguesia de São
Miguel” (FURTADO, 1594) com data do ano de 1984. Além disso documentos da época
citam a existência de outros engenhos na região, (IHAGPE, 1956) portanto é
possível que outra comunidade monocultora da época tenha se formado antes desta.
A história da cidade de Ipojuca, hoje sede do município, juntamente com os
outros dois distritos de Camela e Nossa Senhora do Ó, serão explorados em um
outro momento. Aqui circunda uma grande questão que vale a pena discuti-la, e
creio que neste texto não será possível cessar esse debate, mais será uma
ferramenta para incitar a análise. Qual a origem de Ipojuca? Para muitos
Ipojuca tem sua origem a partir da chegada dos europeus que receberam as
doações das sesmarias advindas das mãos de Duarte Coelho.
Porém, defendemos que Ipojuca tem suas raízes, em primeiro plano, nos povos
indígenas que habitavam a região. Seu próprio nome, Ipojuca, (do Tupi-guarani
sugere que seu significado é pântano, água escura, estagnada) é de origem
indígena (FONSECA, 2013) e assim seguem outros nomes da terra como: Maracaípe,
Gamboa, Cupé, Caetés. Logo, a própria antiguidade do nome nos remete a ideia de
que não foram os portugueses que nomearam essa terra e sim os nativos que nela
habitavam e que tinham grande ligação com a terra na qual viviam.
Além de fatores importantes como esses temos notícias documentais mais antigas
do litoral ipojucano, em mapa do ano de 1542, Hans Staden, mercenário alemão
que esteve por duas vezes no Brasil registrou o Porto de Galinhas, chamando-o
de Rio das Galinhas, fator que demonstra que nessa época o Porto já era
utilizado como espaço de atracamento de navios. Outra localidade que tem
registros bastante antigos é Maracaípe que também foi um importante porto nesse
período.
Portanto nos vem a mente questões como, onde isso foi aprendido? Quem nos
ensinou esses métodos? Os portugueses? Holandeses? Alemães? Fanceses? Não, os
nativos ipojucanos acumularam e passaram adiante esses conhecimentos a partir
das gerações posteriores que habitaram essa região.
Vale ressaltar que as intensas lutas para se manter no território ipojucano por
parte desses povos demonstrava o quanto eles sentiam-se pertencentes a ela e o
quanto não queriam abrir mão do que era seu. Temos, portanto, uma visão que não
apaga as características expostas pelos portugueses sobre esses índios, porém,
vai além da imagem de “povos bárbaros” e “selvagens” indiscriminados como
buscaram passar naquele momento. Vale ainda ressaltar que os Caetés não foram totalmente
exterminados por Duarte Coelho, registros antigos dão conta de que vários
Caetés sobreviveram, documentos dos jesuítas atestam a dificuldade que havia na
catequização desses índios já após a morte do primeiro donatário da Capitania
de Pernambuco.